Sábado, 7 de Abril de 2007

As nossas reflexões...

Olá! Confessamos que nas últimas 8 semanas, após o conhecimento dos resultados obtidos no Challenge, nos esquecemos praticamente da existência deste blog.

É certo que ganhámos uma menção honrosa, com um banner muito giro.

 

 

Bem, para nós, pioneiros na Aventura do Conhecimento, estes resultados já foram muito bons!

No dia 22 de Março, primeiro ficámos sem palaras, pois durante alguns dias, tivemos o sonho de poder ir à televisão participar na grande final desta aventura!

Passadas algumas horas, fizemos um juramento, os Estevas nunca vão acabar! Nem vamos deixar de ser afilhados da professora que nos ajudou!

Agora queríamos dizer-vos que não vamos alterar mais este blog, mas criámos outro onde vamos pôr todas as nossas aventuras!

 

 

Por hoje e para sempre, ficamos por aqui neste blog!

Cumprimentos dos Estevas

 

 

Estevas às 20:57

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Domingo, 4 de Março de 2007

Informações ao visitante

Bem, temos umas informações para dar:

Cumprimos todas as tarefas propostas pelo concurso e adorámos fazê-las!

1ª Tarefa: Esta tarefa foi a da apresentação do grupo, do livro escolhido e de uma breve cronologia sobre a vida e obras do autor. Fizemos uma montagem do grupo com a madrinha e pesquisámos informação sobre Miguel Torga.

2ª Tarefa: Esta tarefa deu algum trabalho, tivemos de criar textos, cenários...  Toda a informação prestada na entrevista foi uma informação verídica, embora a entrevista seja fictícia.

3ª Tarefa: Nesta tarefa, optámos por fazer breves resumos de todos os contos e narrá-los adaptando as nossas vozes ao animal. Adorámos "brincar com as nossas vozes". Fizemos os desenhos de cada animal. Tivemos problemas com o programa onde queríamos fazer o vídeo, e não conseguimos fazer a tarefa como gostaríamos.

4ª Tarefa: Esta foi a tarefa mais fácil! Fizemos um anúncio publicitário, com o slogan feito na aula de Língua Portuguesa com ajuda da turma e da professora. Aproveitámos para publicar todos os livros de Miguel Torga, um poema que Adolfo Rocha escreveu sobre o Brasil, adaptar um dos nossos textos preferidos no livro, pesquisar e publicar uma notícia, neste caso, sobre o centenário do nascimento de Miguel Torga, escrever as Aventuras dos Estevas, procurar informação sobre S. Martinho da Anta e colocar o prefácio do livro por nós escolhido, Bichos.

Queremos agradecer a todos os nossos professores pelo apoio que nos deram e por nos terem deixado sair mais cedo nos dias do desafio, mas queremos agradecer principalmente à nossa Madrinha, a professora Leonor Paiva e à nossa professora de Língua Portuguesa, a professora Laura Pais, que se disponibilizaram sempre para nos ajudar.

Obrigado SAPO CHALLENGE por este enorme e espectacular desafio proposto, obrigado por terem feito com que a amizade entre os Estevas tenha aumentado ainda mais, ao cumprir as suas tarefas.

Divertímo-nos bastante na 2ª Aventura do Conhecimento!

Cumprimentos dos Estevas

Estevas às 12:43

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Sábado, 3 de Março de 2007

S. Martinho de Anta

S. Martinho de Anta é a freguesia onde nasceu Miguel Torga, foi o berço de um dos grandes escritores contemporâneos da língua portuguesa, este pequena freguesia situa-se no concelho de Saborosa, na região de Trás-os-Montes. O concelho de Sabrosa foi berço de grandes personalidades portuguesas, navegadores, escritores e cientistas , a ele deve-se o nascimento de Fernão Magalhães, Miguel Torga, Hermínio Monteiro e Dr. Joaquim Pinheiro de Azevedo Leite Pereira.

Brasão do Concelho

A Freguesia de S.Martinho de Anta situa-se a 4 km de Sabrosa, tem 1313 habitantes , 1601 hectares, e é constituída por quatro povoações, Anta, Garganta, Roalde e São Martinho de Anta.

Cruzeiro de S.Martinho de Anta

Informação recolhida em:
Site da Câmara Municipal de Sabrosa, S.Martinho de Anta, Acedido em 3/02/07
CM de Sabrosa: http://www.cm-sabrosa.pt/index.asp 
Estevas às 22:30

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Anúncio Publicitário

Olá, agora temos para vocês um anúncio publicitário relativo à compra do livro "Bichos" de Miguel Torga.

Esperamos que gostem e que comprem!

 

 

Estevas às 20:03

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Livro "BICHOS" mais antigo

Olá a todos os challenge-maniacos , depois de muito pesquisar, descobrimos uma autentica preciosidade. O que temos para vos mostrar é o livro da edição mais antiga que encontrámos. Este livro pertence à 5ª Edição deste Livro pela editora COIMBRA, esta edição é do ano de 1954.

Informação recolhida em:
In-libris, Miguel Torga, Acedido em 02/03/07
Sociedade a Promoção do Livro e da Cultura: http://www.in-libris.pt/os-nossos-livros-2/os-livros-antigos/index.html
Estevas às 19:36

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Os Grande Portugueses

Miguel Torga, como todos sabemos foi um grande escritor contemporâneo português, por isso foi eleito por muitos o melhor de todos os portugueses, embora votos esses só lhe tenham permitido alcançar o 85º lugar no patamar dos 90 melhores portugueses.

Este Programa é transmitido pela RTP (radio e televisão de Portugal), sendo que a final deste programa está para breve onde poderemos ter a oportunidade de saber qual o melhor português dos portugueses.

 

Informação recolhida em:

RTP, Grandes Portugueses, Miguel Torga, Acedido em 03/03/07

RTP - Grandes Portugueses: http://www.rtp.pt/gdesport/?article=139&visual=3&topic=20

Estevas às 19:36

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Livros de Miguel Torga

Olá a todos.

Reparamos que o nosso blog, estava a ter letra a mais e imagem a menos, o que poderia levar a que os nossos visitante não se interessassem por ele, então resolvemos mostrar-vos as capas de alguns livros escritos por Miguel Torga.

                                

Ansiedade - 1928              Rampa - 1930                          Criação do Mundo - 1931/1981                                          

A Terceira Voz - 1934                  Abismo - 1932                                            Bichos - 1940

                  

        Contos da Montanha - 1941                                                   Rua - 1942

                  

             Senhor Ventura - 1943                               Novos Contos da Montanha - 1944

            

Vindima - 1945      Odes - 1946     O Paraíso - 1949      Portugal - 1950     Pedras Lavradas - 1951

                        

                 Poesia - 1952              Traço de União - 1955                     Fogo Preso - 1976

Estevas às 17:37

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Prefácio do Livro "BICHOS"

Para melhor ficarem a conhecer a obra que escolhemos para a segunda fase do SAPO CHALLENGE , decidimos deixar-vos o prefácio do livro "BICHOS".

Querido Leitor


São horas de te receber no portaló da minha pequena arca de Noé. Tens sido de uma constância tão espontânea e tão pura a visitá-la, que é preciso que me liberte do medo de parecer ufano da obra, e venha delicadamente cumprimentar-te uma vez ao menos. Não se pagam gentilezas com descortesias, e eu sou instintivamente grato e correcto.
Este livro teve a boa fortuna de te agradar, e isso encheu-me sempre de júbilo. Escrevo para ti desde que comecei, sem te lisonjear, evidentemente, mas também sem ser insensível às tuas reacções. Fazemos parte do mesmo presente temporal e, quer queiras, quer não, do mesmo futuro intemporal. Agora, sofremos as vicissitudes que o momento nos impõe, companheiros na premente realidade quotidiana; mais tarde, seremos o pó da história, o exemplo promissor ou maldito, o pretérito que se cumpriu bem ou mal. Se eu hoje me esquecesse das tuas angústias e das minhas, seríamos ambos traidores a uma solidariedade de berço, umbilical e cósmica; se amanhã não estivéssemos unidos nos factos fundamentais que a posteridade há-de considerar, estes anos decorridos ficariam sem qualquer significação, porque onde está ou tenha estado um homem é preciso que esteja ou tenha estado toda a humanidade. Ligados assim para a vida e para a morte, bom foi o acaso te fizesse gostar destes Bichos. Apostar literariamente no provir é um belo jogo, mas é um jogo de quem já se resignou a perder o presente. Ora eu sou teu irmão, nasci quando tu nasceste, e prefiro chegar ao juízo final contigo ao lado, na paz de uma fraternidade de raiz, a ter de entrar lá solitário como um lobo tresmalhado.
Ninguém é feliz sozinho, nem mesmo na eternidade. De resto, um conto que te agradou, tem algumas probabilidades de agradar aos teus netos. Porque não hão-de eles tirar ninhos quando forem crianças? E, se tal não acontecer, paciência: ficarei um pouco triste, mas sempre junto a ti, firme, na consolação simples e honrada de ter sido ao menos homem do meu tempo.
És, pois, dono como eu deste livro, e, ao cumprimentar-te à entrada dele, nem pretendo sugerir-te que o leias com a luz da imaginação acesa, nem atrair o teu olhar para a penumbra da sua simbologia. Isso não é comigo, porque nenhuma árvore explica os seus frutos, embora goste que lhos comam. Saúdo-te apenas nesta alegria natural, contente por ter construído uma barcaça onde a nossa condição se encontrou, e onde poderemos um dia, se quiseres, atravessar juntos o Letes, que é, como sabes, um dos cinco rios do inferno, cujas águas bebem as sombras, fazendo-as esquecer o passado.

Teu
Miguel Torga
Informação de:
TORGA, Miguel, Bichos, Coimbra, Lisboa, 2003
Estevas às 14:14

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Sexta-feira, 2 de Março de 2007

Notícia - Centenário do Nascimento de Miguel Torga

Foi no dia 17 de Agosto de 1907 que o nosso querido e famoso escritor Miguel Torga nasceu, logo neste ano completa-se o centenário do seu nascimento. Por isso achamos interessante colocar a notícia por nós encontrada no Jornal Público on-line.

Centenário do nascimento de Miguel Torga assinalado com várias iniciativas 

O centenário do nascimento de Miguel Torga vai ser assinalado ao longo do ano com concertos, exposições, peças de teatro, edição de livros, colóquios, concursos de fotografia e outras homenagens ao escritor.

De acordo com o programa coordenado pela Delegação Regional da Cultura do Norte, as comemorações começam este mês, em Trás-os Montes, e terminam no dia 14 de Dezembro com o lançamento do DVD "A Terra Antes do Céu", realizado por João Botelho.

Um dos pontos altos do programa é a exposição itinerante sobre a vida e a obra de Miguel Torga (1907-1995), a inaugurar em Maio em Vila Real e que será depois apresentada na Biblioteca Nacional, em Lisboa, e noutras localidades.

"Retratos e paisagens"

Mais de uma dezena de artistas plásticos, entre os quais Graça Morais e José Rodrigues, ambos transmontanos, participarão numa mostra colectiva intitulada "Retratos e paisagens", e haverá um concerto com o mesmo título, com obras de vários géneros, da música erudita ao jazz.

Miguel Torga, pseudónimo literário do médico Adolfo Correia Rocha, nasceu no dia 12 de Agosto de 1907 em S. Martinho de Anta, Trás-os-Montes, e morreu em Coimbra no dia 17 de Janeiro de 1995.

Miguel Torga é autor de mais três dezenas de títulos de poesia, ficção e teatro, e foi o primeiro vencedor do Prémio Camões, o mais importante galardão literário da lusofonia.

Fonte de:
Público.pt on-line, Centenário do nascimento de Miguel Torga, Acedido em 07/02/07
Público.pt on-line: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1282636
Estevas às 16:56

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Quinta-feira, 1 de Março de 2007

Diálogo do Conto Morgado no Livro "BICHOS"

Desta vez o que temos para vocês é uma adaptação para diálogo do conto Morgado do livro por nós escolhido, "BICHOS". Então aqui vai:

Diálogo – Livro Bichos (Adaptado) de Miguel Torga
 
Patrão – (zangado) Deixa-te lá de brincadeiras e enche esse bandulho, que amanhã de madrugada, nem que chovam picaretas...
 
Burro – Eh "compadri", eu como mas não tenho "fomi".  Sinto-me cheio, nem sei bem porquê. Ainda para mais se está com essas coisas, fico ainda com menos fome.
 
Burro – (aparte) Eu até simpatizo com "eli" mas só quando não se mete com estas parvoíces! Sempre o adorei desde que me comprou naquela feira e me distinguiu de todos os outros jericos.
 
(Burro a relembrar):
Patrão – (alto) Quanto custa o jerico?
 
Feirante – 20 libras
 
Patrão – Não é estampa para tanto dinheiro.
 
Feirante– 20 libras, nem menos um real.
 
Patrão – Deixo o garrano por 16, e já é caro como o fogo.
 
Feirante – 17 e não se fala mais nisso! Fique lá com isso e cale-se!
 
Burro – (zurro) Já estava farto deste labrego. Pode ser que agora tenha melhor "sorti" com o meu novo dono. Já não podia trabalhar mais naquele moinho a ouvir aquela ladainha: “Zumba na barra da saia ó Zé”. Ainda por cima era mal alimentado.
 
(No dia seguinte)
Patrão – (metendo a carga no burro).Temos de ir Morgado que me borras a pintura… Vamos lá! Temos 6 léguas de serra pela frente.
 
(Algum tempo depois)
 
Burro – Já caminhámos muito e eu estou com muito frio.
 
Patrão -  Olha Morgado, eu também.
 
Burro – Bolas, está mesmo uma noite cerrada, "compadri"! Não vejo nada à "frenti".
 
Patrão – Ainda temos algum caminho pela frente. Já vamos a meio, sabes como sei?
 
Burro – Não.
 
Patrão – Temos à nossa frente o Vale de Vila Pouca.
 
Burro – Tenho "fomi" e sinto-me cansado.
 
(Entretanto ouvem-se uivos)
 
Burro – Estou com medo. Ainda bem que estou ao pé do "compadri", sinto-me protegido.
 
Patrão – Também estou com medo.
 
Burro – Devemos estar cercados por uma alcateia esfomeada.
 
Patrão – (Fazer barulho) Pode ser que eles se assustem e se vão embora.
 
(Começa a trovejar)
 
Burro – Compadre porque é que me tirou a carga? Vamos "fugiri"?
 
Patrão – Pára de fazer perguntas e corre.
 
Burro – (cansado)Estou com os cascos feridos, não aguento mais.
 
Patrão – (aflito) Corre, Corre, se não eles vão atacar.
 
Burro -  (muito cansado) Já não dá! Não posso!
 
Patrão – Vais desgraçar-nos aos dois! Minhas ricas dezassete libras!
 
Burro – Agora é que é! Vou "cairi" aqui no meio do chão!
 
Patrão – Ainda por cima desmaiou! Vou mas é fugir a correr!
 
Burro – (desesperado) Olha onde ele vai sem mim! Foi desta! Já tenho um lobo agarrado ao meu rico pescoço...
Informação recolhida de:
TORGA, Miguel, Bichos, Coimbra, Lisboa, 2003
Estevas às 20:20

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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

Reportagem - Vídeo

Olá a todos, parece que já conseguimos fazer o vídeo e colocá-lo aqui no blog, ainda não está a nosso gosto, pois não pôde ficar com animações nem num só vídeo devido ao tamanho.

Prometemos novamente que quando conseguirmos fazer o vídeo no programa que queremos, vocês vão gostar imenso.

 

Estevas às 21:35

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Novidades

Como sabem nesta semana, podemos fazer o que nos "der na real gana", por isso vamos ter muitas surpresas, que esperemos que achem originais.

Para já, se estiveram atentos ao nosso blog, sabem que Miguel Torga, para além de prosador foi também poeta.

Para conhecerem melhor o nosso autor, também a nível poético, deixamo-vos um pequeno poema por ele escrito:

Brasil
onde vivi,
Brasil onde penei,
Brasil dos meus assombros de menino:
Há quanto tempo já que te deixei,
Cais do lado de lá do meu destino!

Que milhas de angústia no mar da saudade!
Que salgado pranto no convés da ausência!
Chegar.
Perder-te mais.
Outra orfandade,
Agora sem o amparo da inocência.

Dois pólos de atracção no pensamento!
Duas ânsias opostas nos sentidos!
Um purgatório em que o sofrimento
Nunca avista um dos céus apetecidos.

Ah, desterro do rosto em cada face,
Tristeza dum regaço repartido!
Antes o desespero naufragasse
Ente o chão encontrado e o chão perdido.

Este poema, fala do Brasil , país para onde Miguel Torga emigrou com apenas 12 anos, onde trabalhou na quinta do seu Tio.

 

Informação recolhida em:

As Tormentas, Miguel Torga, Acedido em 26/02/07

As Tormentas: http://www.astormentas.com

Estevas às 19:09

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Domingo, 25 de Fevereiro de 2007

Reportagem - Bichos

Olá, como estão? Nós não estamos lá muito bem visto que andamos com problemas no programa onde queremos criar o vídeo da reportagem.

Hoje deixamo-vos com a reportagem escrita dos Bichos do nosso querido autor Miguel Torga. Esperamos que gostem.

Asseguramo-vos de que a reportagem em formato de vídeo ficaria e ficará original. Prometemos que quando conseguirmos criar o vídeo, o publicaremos aqui no blog.

Esta Reportagem é passada nas altas serras de Trás-os-Montes e é importante saberem que esta reportagem só pode ser realizada após grandes buscas feitas pela equipa dos Estevas nas grandes serras, para encontrar todos os animais que neste livro "BICHOS" participaram.

Reportagem
 
Apresentador – Olá mais uma vez aos telespectadores da “Tvestevas”, hoje vamos apresentar-vos uma reportagem sobre umas das obras mais conhecidas do nosso querido autor Miguel Torga, Bichos.
 
Jornalista 1 – Esta obra surgiu em 1940, foi reeditada mais de 20 vezes, sendo traduzida em várias línguas.
 
Jornalista 2 – Bem, vamos prosseguir com a apresentação da obra, vamos “contar-vos”, resumidamente, as histórias de cada animal deste livro.
 
 
Jornalista 3 – Começaremos pela história do cão chamado Nero.
          Olá, eu sou o Nero, um cão.
Fui dado a uma família composta por um casal de adultos, já um pouco idosos, que tinham 2 filhos, uma filha ainda criança e um rapazola que já era doutor. Eu vivia com os velhos e com a menina, embora pertencesse ao rapaz. O rapaz só me vinha ver nas férias do Natal, eu não me importava pois adorava estar aninhado no colo da menina, ao calor da lareira e a ouvir as conversas. O rapaz ensinou-me a caçar e, na época da caça, lá íamos os dois. Certo dia, aconteceu uma desgraça. Quando estava a caçar, levei um tiro e desde esse dia, nunca mais voltei a ser o mesmo embora me tenham curado com muitos miminhos.
          Os anos foram passando e chegou a hora de me despedir de todos. Eu nunca mais fui o mesmo cão desde que me aconteceu aquela desgraça, com o passar dos anos já estava desdentado, com as urinas em sangue e cego de um olho. Sempre a pensar nos meus amos, nos meus amigos e em todas as aventuras que tive, finalmente, fechei os olhos e morri.
 
 
 
Jornalista 1 – Foi uma história com um triste final, característica dos contos deste livro. Passemos à história do gato Mago:
Olá meus amigos! Como estão?
Eu sou o gato Mago. Vou contar-vos a minha história.
Eu era um gato muito mimado e acarinhado pela minha dona, a D. Sância. Por culpa dela, deixei de caçar ratos, de comer sardinhas, de sair à rua para estar com os meus amigos ou mesmo para ir namorar com as minhas belas gatinhas. Por culpa dela, perdi o melhor da vida de gato.
          Certo dia, já farto de estar nos braços gordos da minha dona, decidi voltar à bela vida de gato. Quando apanhei a minha dona a dormir a sesta, saí pela janela da cozinha. Encontrei logo um velho amigo que me deu as boas – novas. Ao que parece, tinha perdido a minha mulher. Ela não era bem minha mulher, pois só a visitava de ano a ano. Quando estava a conversar com o meu amigo, tive de lhe dizer umas mentiras, pois não podia ser inferior a ele, embora eu tivesse uma dona e uma vida cheia de luxo. Depois de falar com ele, pensei no que ele me disse, aquilo de ter perdido a minha mulher, e fui ter com ela. Ela estava acompanhada do seu amorzinho mais recente. Eu e ele tivemos uma luta e, como é óbvio, eu perdi. Cheio de vergonha e num estado lastimável, optei por voltar para a D. Sância.
 
 
Jornalista 2 – Esta história acabou um pouco melhor, seguiremos com a Madalena, uma mulher vulgar:
Olá o meu nome é Madalena. Eu subi pela Serra Negra em direcção a Ordonho para ir ter o meu bebé. Como já devem ter percebido eu estava grávida. Ia subindo aquela serra com muito custo, o suor aparecia por todos os lados e tinha uma sede enorme. A certa altura, já não aguentava mais e tive mesmo de parar porque as dores já eram muitas.
Com muita força, gritos e dores finalmente consegui empurrar o bebé para fora de mim. Vocês devem estar a perguntar porque é que eu tinha de subir aquela tão grande serra em direcção a Ordonho! Eu dou-vos a resposta, na minha aldeia, não haviam condições e o pai do meu filho nem se importava comigo.
 
 Jornalista 3 – Agora é a vez do burro Morgado:
Olá, sou o burro Morgado. O meu dono comprou-me à 6 anos atrás por 17 libras. Quando caminhava para os meus últimos dias de vida, sentia um aperto no coração, não sabia bem porquê. Também é certo que o meu dono não parecia o mesmo. Certa tarde, já depois do trabalho, quando regressei aos meus aposentos, o meu dono disse-me para eu comer, pois na madrugada seguinte iríamos percorrer 6 léguas. Eu andava sem fome e sem sono, logo resolvi não comer. Na madrugada seguinte, tal como previsto, lá fui eu com o meu dono percorrer as tais 6 léguas. Não sei para onde íamos, eu estava muito carregado e o sol ainda nem tinha nascido. Durante parte da caminhada, reinou um grande silêncio, até que começámos a ouvir uivos. O meu dono parou logo e eu estava a tremer de medo. Quando demos por nós, já estávamos rodeados de 5 lobos, que pareciam famintos. O meu dono tirou a carga de cima de mim, montou-se nas minhas costas e desatámos a correr. Como não tinha comido, não tinha forças, os suores escorriam-me por todos os lados e não tive melhor remédio senão parar. O meu dono deixou-me e continuou a correr, resmungando. Senti então, a mordidela de um lobo no meu pescoço.
 

 
Jornalista 1 – Agora é a vez do sapo Bambo:
Uebit! Como estão? Sou Bambo, o sapo.
Era o único animal que gostava da noite. Numa dessas noites, conheci o tio Arruda, um caseiro. Ele era pobre, solteiro e levou a vida a trabalhar. Também levava as noites acordado. Ao princípio, não me entreguei sem mais nem menos, mas fomos tendo mais encontros e a nossa amizade foi tomando arestas, como quem diz, aumentando. O tio Arruda em todos os encontros que tínhamos, aprendeu a conhecer e a interpretar a natureza. De tal forma assim foi, que num Domingo à porta da igreja, confessou que antes de conhecer Bambo, nunca encontrara tanto sentido e beleza às coisas que o rodeavam. Foi muito gozado pelas outras pessoas. Certo dia, o tio Arruda descobriu que eu tinha o dom de fecundar e parir, pois transformei um canteiro vazio de plantas, num canteiro coberto de uma verdura virgem, casta, feita de esperança, água e cor. Agora, todas as pessoas que conheciam o tio Arruda começaram a perceber as suas palavras daquele dia de Domingo, pois ficaram assombradas com tal transfiguração. Um dia o tio Arruda morreu com um resfriado, a que ninguém lhe pôde valer, nem mesmo o seu mestre Bambo (eu). Com a morte do tio Arruda, veio o novo caseiro. Este caseiro tinha um filho, era um rapazola mau de natureza.
Certo dia, muito devagarinho, espetou-me uma estaca nas costas e deixou-me ali suspenso a espernear ao sol.
 

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Jornalista 2 – Passemos ao malandro do galo Tenório
Cá-que-rá-cá, olá meus amigos sou o Tenório. Vou ser muito breve a contar-vos a minha história porque os meus filhos estão a chamar-me. Quando nasci, era o pinto mais forte da minha ninhada. A minha dona notou que eu era um macho e disse que eu iria ficar um galo muito bonito. Quando cresci, costumava sair do quintal da minha dona e ia para o quintal da comadre para ir namorar com as galinhas. Num desses dias, as coisas não correram bem pois o galo da comadre, um dos meus maiores inimigos, reparou que eu lhe estava a roubar as pretendentes e travámos várias lutas, mas eu vencia sempre. Entretanto nasceu uma outra ninhada, em que todos eram meus filhos. Nessa ninhada cumpriu-se a tradição: Tal pai, tal filho ou seja, um desses pintos, era como eu. Como eu nessa altura já era velhote, a minha dona decidiu degolar-me visto que tinha um sucessor.
 
 
 
Jornalista 3 – Agora temos para vos mostrar a história dum menino chamado Jesus.
          Olá, o meu nome é Jesus e tal como vocês, pertenço à espécie Homo Sapiens. Ainda sou uma criança e aconteceu-me uma história que vos pode parecer estranha, mas para mim, foi espectacular. Sem mais demoras, passo a contar: Um dia à tarde, dirigia-me eu para casa com a minha ovelha quando reparei num pintassilgo que estava a sair dum grande cedro. Enquanto olhava para aquele maravilhoso pintassilgo, vi um ninho lá no topo do cedro. Prendi a ovelha a uma giesta e trepei pela árvore acima. Ia subindo muito devagar, pois o cedro era muito alto e eu tinha medo de cair. Já muito perto do ninho, pude observar que ele só tinha um ovo, peguei-lhe e dei-lhe um beijo. Com o calor da minha boca, a casca do ovo estalou ao meio e nasceu um pintassilgo depenado.
 
 
 
Jornalista 1 – Sem perder mais tempo, passemos à história de uma cigarra.
          Chamo-me Cegarrega e sou uma cigarra. Tal como os outros insectos, sofro metamorfoses: fui um embrião, uma larva, uma crisálida… Tal como todas as da minha espécie, sou preguiçosa, pois não gosto de recolher comida. Deveria seguir o exemplo das formigas, pois se fosse como elas, não me limitava a morrer no Inverno. Gosto muito de cantar. Todos os dias à tardinha costumo cantar. Muitas pessoas não gostam de me ouvir, mas outras, até não se importam.
 

Jornalista 2 De imediato, a história dum pardal.
          Ladino é o meu nome, sou um pardal. Agora que já tenho uma certa idade, tenho tempo para recordar os tempos em que não sabia ao certo o que era voar e tinha medo de o fazer. Querem ouvir a minha história?
          - Sim!!!
          Então é assim: como já vos disse, não sabia ao certo o que era voar e tinha medo de o fazer. A minha mãe bem me entusiasmava a ver se me convencia, falando-me da coragem dos meus irmãos. O meu pai dava-me bicadas, picava-me como quem picava um boi. Ninguém me convencia porque ninguém me podia garantir que as asas me aguentavam. Já farto de estar alimentado a papas, lá resolvi sair do ninho e voar. Quase que era preciso um pára-quedas! Senti-me arrepiado, tonto, com palpitações… Finalmente aprendi a voar e a aterrar! Finalmente pisei o solo, finalmente provei grãos de trigo, finalmente descobri o melhor da vida de pássaro!
 
          Com este feito, comecei a conhecer o mundo, Costumava pôr-me no fio do correio a ver jogar o fito, punha-me na areia do cantoneiro, chegava-me às chaminés para apanhar o bafo do fogão, acordava ao sinal do galo Tenório todas as manhãs, enfim, uma vida maravilhosa!
 
 
 
Jornalista 3 – Já a seguir iremos ver a vida de Ramiro.
          Bem, tenho de me esforçar bastante para falar com vocês. Sou o Ramiro, pastor de profissão. Odeio falar, simplesmente dou assobios estridentes para avisar as ovelhas que já são horas. Certo dia, os meus malatos infiltraram-se no rebanho doutro pastor. Este, para os espantar, mandou uma pedra que, infelizmente, acertou numa ovelha que estava prenha. Chamava-se Mimosa e era a melhor ovelha do rebanho. Ao fim de algum tempo, ela abortou e morreu. Eu fiquei todo chateado e com a minha foice na mão, fui ter com o outro pastor e matei-o.
 

 
Jornalista 1 – Chegou a vez do Farrusco, um Melro.
          Ahahah, sou o melro Farrusco. Lá em Vilar de Celas, havia uma rapariga, prestes a casar que perguntava a um cuco: Cuco do Minho, cuco da Beira, quantos anos me dás de solteira?
          Da primeira vez o cuco cantou “cuco, cuco, cuco”, isso queria dizer que lhe dava 3 anos de solteira. A rapariga ficou assustada porque faltavam apenas alguns dias para que o seu namorado acabasse a tropa e este tinha-lhe prometido casar-se com ela logo a seguir. A rapariga foi então contar tudo à alcoviteira, que estava a sachar milho. Foi então que dei a primeira gargalhada. Entretanto houve uma onda de harmonia entre todos os animais ali presentes pois todos cantavam em coro. Esse coro encheu a rapariga de coragem para fazer outra vez a mesma pergunta ao cuco, desta vez, o cuco cantou um número superior às estrelas do céu. A rapariga ficou desapontada. Passaram algumas horas e foi preciso que eu desse outra gargalhada para que levantasse os ânimos da rapariga. Ela deu uma gargalhada cristalina e ficou muito mais alegre, à espera do dia do seu noivado.
 

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Jornalista 2 – Vamos à tourada com o touro Miura!   
          Olá meus caros! Sou o Miura o Touro. Fui criado na lezíria ribatejana, com o passar do tempo, viram que eu estava belo, forte, isto é, preparado para entrar p’rás touradas.Na minha primeira tourada, enquanto esperava pela minha entrada, estava cheio de medo. Quando chegou a minha vez, a multidão calou-se e ouviram-se as notas lúgubres do clarime eu entrei. Eu não sabia bem o que ia fazer, agora a multidão começara a gritar. Tinha à minha frente um tipo magro, doirado que entrou naquele redondel, esse tipo começou a gritar: “Eh boi! Eh Toro!”. A multidão desejava ver o fruto da minha fúria, então actuei, mas o tal homem, transfigurou-se na confusão de uma nuvem vermelha, onde o ímpeto das minhas hastes aguçadas se quebrou. Cego daquele ludíbrio, voltei a avançar, vezes sem conta, até que fiquei muito cansado. Após a saída do primeiro homem, sucedeu-lhe outro que finalmente conseguiu o que queria, isto é, matar-me.                                                                                                                                                                                      
 
 
Jornalista 3 – De seguida, iremos mostrar a história do Sr. Nicolau
O meu pai queria fazer de mim um homem, e para isso mandou-me para Guimarães quando acabei a 4ª classe. O padre Macário batia-me muito e punha-me de castigo, mas de nada lhe serviu. Sempre que podia, fugia para o campo e punha-me a apanhar bichinhos, escavando a terra com um pauzinho. Tinha o meu quarto cheio de gaiolas com animaizinhos lá dentro. Como não estudava nada, tinha muitas más notas a todas as disciplinas menos a zoologia, a que tinha sempre 20. Por causa das notas a esta cadeira lá fui passando ano sim ano não. Ao fim de 6 anos, lá me deram um diploma e eu regressei a casa, mas já n encontrei o meu pai que morreu dias antes de eu chegar. A partir daí dediquei o resto da minha vida a apanhar todos os tipos de animais. Os meus aristocratas não me compreendiam e achavam que eu era maluco, mas quando perceberam que eu lhes pagava quando me traziam novos exemplares de insectos, passaram a ajudar-me na minha colecção. Assim passei a minha existência, catalogando e arrumando em caixas os meus exemplares, até ao dia em que umas febres provocaram a minha morte. Morri feliz à espera que me metessem também numa caixa. 
 

Jornalista 1 – Agora vamos ter uma história “bíblica” pois passa-se na Arca de Noé.
Olá, sou o Vicente, um corvo. Há quarenta dias na arca de Noé, estava muito revoltado. Parecia-me injusto que Deus tivesse enviado o dilúvio para castigar o Homem e com isso também punisse todos os animais que não tinham culpa nenhuma dos desmandos da espécie humana. Resolvi então fugir, para grande espanto dos restantes animais, que admiraram a minha coragem em partir, arriscando não encontrar terra em lado nenhum, e consequentemente a morte. Deus perguntou, então, por mim. Noé foi informado pelos outros animais da minha fuga e transmitiu a notícia a Deus. Deus encaminhou, então, a arca para onde antes estavam os montes da Arménia. Ao fim de algum tempo todos os animais avistaram-me no topo de um monte que ainda se encontrava acima do nível das águas, sentindo-se aliviados e orgulhosos pelo que fiz: achei terra e salvei-me. Deus provocou, ainda mais, a subida das águas, até que o que restava do monte desapareceu e as ondas já me tocavam nas patas. Permaneci firme no meu posto, recusando-me a voltar para a arca. Depois de um momento de grande tensão, todos os que assistiam a esta cena perceberam que Deus ia ceder, que para salvar a sua própria obra este não ia provocar a minha morte. Todos concluíram que nada podia vencer a minha vontade inabalável em ser livre.
 
  
Apresentador: Bem, chegámos ao fim desta reportagem. Muito obrigado por nos terem feito companhia. Até breve!
Fiquem bem, cumprimentos dos Estevas!

Estevas

Informação recolhida de:
TORGA, Miguel, Bichos, Coimbra, Lisboa, 2003
Estevas às 22:07

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Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

Vídeo da Entrevista a Miguel Torga

Olá, hoje finalmente podem ficar com o vídeo da entrevista a Miguel Torga! Esperamos que gostem!!

 

Estevas às 14:08

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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Entrevista com Miguel Torga

Olá a todos. Já acabámos as gravações da entrevista ao autor Miguel Torga, mas ainda não acabámos as montagens. Até segunda o filme da entrevista já cá estará. As perguntas da entrevista já estão mais que feitas. Então aqui vai:

Entrevista Cómico-satírica com Miguel Torga

(16/02/2007)

Jornalista – Olá boa tarde, estamos em directo da “Biblioestevas”, após a entrega o prémio Camões, onde iremos fazer uma entrevista com o nosso autor Miguel Torga. Olá Miguel, como está?

 

Miguel Torga – Antes de mais boa tarde aos telespectadores. Eu estou bem muito obrigado, cá andamos nesta vida de “Bichos”! É com muito prazer que me encontro convosco aqui nesta agradável biblioteca nesta linda tarde de Fevereiro.

 

Jornalista – Bem, como temos que mostrar serviço, deixemo-nos de rodeios, passemos às perguntas.

 

Jornalista – Como se sente depois de ter recebido mais um honroso prémio?

 

Miguel Torga – Bem sinto-me igual às outras vezes em que recebi prémios, afinal de contas é só mais um para juntar à minha colecção… e como espero mais alguns viram, “isto fica só em segredo é que eu gosto mesmo de receber prémios”, já recebi vários, entre eles em 1969 o Prémio do Diário de Notícias, em 1976 o Prémio Internacional de Poesia de Knokke-Heist, em 1980 o Prémio Morgado de Mateus e em 1981 o Prémio Montaigne da Fundação Alemã F.V.S. e mais este em 1989.

 

Jornalista – Sabemos que tem uma forte ligação com Trás-os-Montes, região onde nasceu, quando viaja para outros países não sente saudades da sua terra?

 

Miguel Torga – Sim, é certo que sinto saudades da minha terra, tal como todas as pessoas que emigram ou que viajam. Adoro as minhas origens, a minha família, mas principalmente o meio rural que me dá inspiração para continuar a escrever mais e mais livros, e como todos sabemos lá em Trás-os-Montes é que é…

 

Jornalista – Quem sabe sabe e o Torga é que sabe, continuemos

A família é muito importante para si, fale-nos de um familiar seu, de quem goste muito.

 

Miguel Torga – Eu adorava o meu pai, a nossa comunicação era feita sem quase necessidade de palavras. Eu tinha muita ternura, amor e respeito por ele. O meu pai foi sempre bonito, recordo perfeitamente uma cena em que ele pegava pela primeira vez na neta recém-nascida, foi um momento de ternura. Igualmente, adoro a minha mãe, a quem dediquei diversos poemas.

 

Jornalista – Em 1940 escreveu o livro chamado “Bichos”, onde se retratavam as vidas de alguns animais. Descreva-nos um dos contos desse livro, que tenha gostado mais de escrever.

 

Miguel Torga – Todos animais dos contos que escrevi nesse livro me fascinam desde miúdo porque quando estava emigrado no Brasil, o meu tio tinha lá na quinta dele todos esses animais, embora ele fosse produtor de café. O animal que me fascinou mais foi o galo Tenório, era o pinto mais forte da sua ninhada e a sua dona notou que ele era um macho e disse que iria ficar um galo muito bonito. Quando Tenório cresceu, costumava sair do seu quintal e ia para o quintal da comadre da sua dona para ir namorar com as galinhas. Num desses dias, as coisas não correram bem pois o galo da comadre, reparou que lhe estavam a roubar as pretendentes e travaram várias lutas, mas Tenório vencia sempre. Entretanto nasceu uma outra ninhada, em que todos eram filhos de Tenório. Nessa ninhada cumpriu-se a tradição: Tal pai, tal filho ou seja, um desses pintos, era como o seu pai. Como nessa altura Tenório já era velhote, a sua dona decidiu degolá-lo visto que tinha um sucedessor, não era que o raio do galo era malandro ia ás galinhas do outro.

 

Jornalista – Sabemos que desde muito pequeno sempre teve muito talento, e que sempre desejou estudar, como conseguiu financiar os seus estudos?

 

Miguel Torga - Sabem desde pequeno que gosto muito de observar a natureza e por isso decidi ingressar numa universidade para estudar medicina, primeiramente entrei neste curso na Universidade Leopoldina, embora sempre preferi estudar em Portugal, por isso em 1925 volteia a Portugal e segui os meus estudos na Universidade de Coimbra e em 1933 acabei a minha formatura. Quem financiou sempre os meus estudos foi o meu Tio, era ele quem tinha dinheiro… (entoação de gozo)

 

Jornalista – Que raio de ideia a sua para ter tal pseudónimo?

 

Miguel Torga – Isso é muito fácil de explicar. Confesso que não foi fácil arranjar assim um nome do pé para a mão, mas depois de muito meditar, surgiu-me uma ideia. Como vocês meus caros e cultos amigos sabeis, Miguel é o nome de dois grandes escritores Espanhóis, Cervantes e Unamuno. Torga, devem saber o porquê. Como já vos disse, sempre tive uma forte relação com Trás-os-Montes e as “torgas” são uma flor cor de vinho que nasce lá em cima. São bem firmes como eu e entre as rochas estão as suas raízes. Bolas, vejam bem que até as rochas me perseguem, o meu apelido verdadeiro é Rocha!

 

Jornalista – Para finalizar que mensagem gostaria de deixar aos seus leitores?

 

Miguel Torga – Como escrevi no prefácio do meu livro “Bichos” não se paga gentilezas com descortesias. Gostaria de lhes agradecer a lealdade para com as minhas obras esperando pois que lhes continuem a agradar assim como aos seus sucessores. Da minha parte, volto a repetir nenhuma árvore explica os seus frutos embora goste que lhos comam.

 

Jornalista – Obrigado pela sua disponibilidade e simpatia, esperamos que nos voltemos a ver.

 

Miguel Torga -  Obrigado eu, foi um prazer estar na vossa companhia.

Estevas

Informação recolhida em:

Wikipédia, Miguel Torga, Acedido em 13/02/07

Wikipédia: http://pt.wikipédia.org/wiki/Miguel_Torga

e

GALVÃO, Rolando, Miguel Torga, Acedido em 11/02/07

Vidas Lusófonas: http://www.vidaslusofonas.pt/miguel_torga.htm

Estevas às 14:58

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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

O Nosso Autor - Miguel Torga

LIVRO ESCOLHIDO: BICHOS
 MIGUEL TORGA
(1907 - 1995)
     Adolfo Rocha mais conhecido por Miguel Torga (pseudónimo), foi sem dúvida um grande escritor português do século XX.
     Miguel Torga não foi só escritor, exercia também a profissão de Médico. Esta grande personalidade nasceu no dia 12 de Agosto de 1907 no concelho de Saborosa no Alto Douro.
     Este escritor, teve uma vida muito atribulada, visto que aos 12 anos teve de emigrar para o Brasil e trabalhar na fazenda do seu tio que mais tarde, reparando que o seu sobrinho tinha muitas qualidades, lhe pagou os estudos na Universidade de Coimbra onde tirou Medicina (1933).
     Adolfo Rocha fundou a Revista Presença na qual se empenhou desde o seu início.
     Todas as obras de Miguel Torga têm um carácter Humanista, sendo a maior parte delas escritas nas terras de origem.
     Miguel Torga morre em Coimbra, cidade que não esconde que é uma das suas cidades do coração, a 17 de Janeiro de 1995.
     Miguel Torga, escreveu inúmeros livros e peças de teatro,recebeu muitos prémios e os seus livros são conhecidos mundialmente, sendo traduzidos em inúmeras línguas.

 
Obras de Ficção
·         1931 - Pão Ázimo.
·         1931 - Criação do Mundo.
·         1934 - A Terceira Voz.
·         1937 - Os Dois Primeiros Dias.
·         1938 - O Terceiro Dia da Criação do Mundo.
·         1939 - O Quarto Dia da Criação do Mundo.
·         1940 - Bichos
·         1941 - Contos da Montanha.
·         1942 - Rua.
·         1943 - O Senhor Ventura.
·         1944 - Novos Contos da Montanha.
·         1945 - Vindima.
·         1951 - Pedras Lavradas
·         1974 - O Quinto Dia da Criação do Mundo.
·         1976 - Fogo Preso.
·         1981 - O Sexto Dia da Criação do Mundo.
Obras Poéticas
·         1928 - Ansiedade.
·         1930 - Rampa.
·         1931 - Tributo.
·         1932 - Abismo.
·         1936 - O Outro Livro de Job.
·         1943 - Lamentação.
·         1944 - Libertação.
·         1946 - Odes.
·         1948 - Nihil Sibi.
·         1950 - Cântico do Homem.
·         1952 - Alguns Poemas Ibéricos.
·         1954 - Penas do Purgatório.
·         1958 - Orfeu Rebelde.
·         1962 - Câmara Ardente.
·         1965 - Poemas Ibéricos.
Peças de Teatro que realizou
·         1941 - "Terra Firme" e "Mar".
·         1947 - Sinfonia.
·         1949 - O Paraíso.
·         1950 - Portugal.
·         1955 - Traço de União.
·         1991 - Piriscas, o rei dos matrecos.
Prémios que recebeu
·         1969 - Prémio do Diário de Notícias.
·         1976 - Prémio Internacional de Poesia de Knokke-Heist.
·         1980 - Prémio Morgado de Mateus, ex-aecquo com Carlos Drummond de Andrade.
·         1981 - Prémio Montaigne da Fundação Alemã F.V.S.
·         1989 - Prémio Camões.
·         1991 - Prémio Personalidade do Ano.
·         1992 - Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.
·         1993 - Prémio da Crítica, consagrando a sua obra.
Informação recolhida em:
Wikipédia, Miguel Torga, Acedido em 07/02/07
Wikipédia: http://pt.wikipédia.org/wiki/Miguel_Torga
Estevas às 19:43

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Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007

As Aventuras dos Estevas

Foi graças a este fantástico concurso, que surgiu o nosso grupo, temos tido muitas aventuras hilariantes. Vamos deixar-vos partes da aventura no concurso Sapo Challenge.

Esperamos que gostem!

 
Os Estevas e o Concurso Sapo Challenge 
Parte1
 
O SURGIMENTO DO NOME DO GRUPO
 
         No oitavo ano, ano em que todos os elementos do grupo frequentavam, veio um rapaz de Mafra, o Manuel, que por sinal, mais tarde seria eleito chefe da equipa de um concurso chamado Sapo Challenge, para a escola de Vila Nova de S. Bento, onde os restantes membros do grupo já andavam há 3 anos, a Ana, a Andreia, o Ricardo e o Fábio.
         Certo dia, a professora de Ciências, a professora Leonor Paiva, propôs à turma participar no concurso Sapo Challenge promovido pela PT (Portugal Telecom), em que na final, teriam de ir à televisão. Ficaram todos muito entusiasmados e pelos seus olhares, já tinham o grupo formado, só faltava o nome! A Ana pensou em “Diabos Sortudos”, ainda houve a possibilidade de ser “Os Cinco Sentidos”, mas o que ficava melhor era certamente “Diabos Sortudos” porque queria dizer que davam “luta” às outras equipas concorrentes e que poderiam ter a sorte de poder ir à televisão.
         No dia da inscrição da equipa, quem ficou com a responsabilidade de os inscrever, foi a Ana e o Manuel. Tiveram de criar e-mail’s e tiveram também de registar a equipa na Turma do Sapo, e seguir todas as instruções que estavam no regulamento do concurso. Quando se iam inscrever, tal como combinado, com o nome de “Diabos Sortudos”, tal não foi possível porque só eram permitidos 9 caracteres, então a Ana lembrou-se do nome de Estevas, visto que foi o nome utilizado num concurso em que os participantes foram à televisão, entre os quais uma das suas primas, e também porque a Esteva é o símbolo da sua escola.
         Escolhido o nome, a Ana e o Manuel, puderam finalmente inscrever a equipa no Sapo Challenge.
 
 
Parte 2
A MADRINHA DOS ESTEVAS
 
         Uns dias depois de a equipa estar inscrita no concurso, a Ana teve a ideia de convidar a professora Leonor Paiva para ser a madrinha da equipa, pois ela era a pessoa mais apropriada para tal, visto que era a Coordenadora das TIC na escola.
         Então, a Ana combinou com o Manuel como haviam de lhe fazer o convite e no outro dia, com alguma vergonha, fizeram o convite à professora e ela aceitou.
          Como eles tinham dúvidas de a professora aceitar e mais tarde recusar o cargo, fizeram um contrato com diversos direitos e deveres que a professora iria ter enquanto madrinha da equipa.
         A professora e todos os membros da equipa assinaram o contrato e definitivamente, a professora ficou a ser a madrinha da equipa e dos cinco alunos.
 
Parte 3
    
OFICINAS DO CONHECIMENTO – PT ESCOLAS
 
                Chegou o dia 11 de Janeiro de 2007, o dia em que os Estevas iriam às Oficinas do Conhecimento, na estação CP de Beja, que era um projecto organizado pelo Sapo Challenge. Eles iam lá aprender coisas importantes para a segunda fase do concurso, que seria a construção de blogs e sites na Internet.
             Quando chegaram ao local, metade dos alunos que também participavam no Sapo Challenge, ficaram muito admirados porque não sabiam que iam dentro de um comboio aprender a fazer construção de blogs e sites na Internet.
             Ainda antes de entrarem para dentro do comboio, os senhores que organizaram as Oficinas do Conhecimento, pediram para que os alunos tirassem uma fotografia todos juntos, para mais tarde a colocarem no blog que iriam criar.
             Já dentro do comboio, e depois de todos terem observado e visto um vídeo sobre o Sapo Challenge, que por acaso tinha uma esteva, um senhor pediu três voluntários, o primeiro foi o Manuel, a seguir foi a Beatriz, que não era da turma mas que era prima afastada do Manuel e por fim, foi a Ana. Eles não sabiam o que tinham para fazer até que o senhor deu à Beatriz um cartão que continha três perguntas sobre a Informação, a Beatriz teria de fazer essas perguntas à Ana enquanto o Manuel filmava. Acabada a fase de gravação, os senhores levantaram o painel onde mostraram o vídeo e pediram que em cada computador com o seu respectivo monitor, se sentassem cinco alunos, então os Estevas foram logo para o computador que tinha o símbolo da tribo Artists, que era a preferida deles. A Ana e o Manuel, aprenderam tudo o que já sabiam, mas não foi uma seca total porque se divertiram muito.
             À saída, duas senhoras entregaram prémios a todos, dentro de um saco com todas as tribos do Sapo Challenge, no seu interior tinha uma revista, um jornal, canetas, pulseiras do Sapo…
             No caminho para Vila Nova de S. Bento, o Fábio e o Ricardo vinham muito divertidos, pois só vinham a cantar e a gozar com tudo o que viam. Chegados a Vila Nova de S. Bento, desceram do autocarro, despediram-se e cada um foi para sua casa.
Estevas às 12:26

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Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2007

Os Estevas - Apresentação

Olá, os estevas são um grupo que foi criado no início do Sapo Challenge 2007, este grupo participou na 1ª fase do concurso tendo como melhor classificação o 39º lugar.

Esperemos que na 2ª Fase as coisas ainda corram melhor.

Nós, os Estevas, somos constituídos por 5 elementos, Manuel Talhinhas, Ana Silva, Andreia Castelo, Fábio Alves e Ricardo Pica, sendo o Manuel o Chefe de Equipa.

Somos todos alunos do 8º ano da Escola Básica 2,3 de Vila Nova de S.Bento , no concelho de Serpa.

O nome do grupo deve-se ao facto da esteva ser a planta bravia característica da zona.

  • Aqui fica uma montagem feita pela Ana com o objectivo de apresentar o Grupo:

 

À esquerda a Ana, ao seu lado direito a professora Leonor Paiva e o Manel. Na fila de trás, temos da direita para esquerda o Ricardo, o Fábio e a Andreia.

  • Fotografia da nossa escola:

Estevas às 20:47

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